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Algumas palavras do Professor Dylmo Elias


Ao criar este Curso, o propósito principal foi o de destacar o papel da VOZ diante da sociedade. Na verdade, a PALAVRA é o grande elo de comunicação entre os povos.

Muitos têm a falsa impressão que as vozes só desempenham um significado maior no campo artístico, seja no rádio, no teatro ou na televisão. Ledo engano. Em todas as profissões a dicção perfeita é trunfo positivo na conquista pessoal e profissional do cotidiano.

Já dizia Bettina Chateaubriand, atualmente ministrando o Curso de Cultura e Comunicação do Senac-Rio: “É um engano pensar que o mercado de locução se restringe ao rádio. São várias as oportunidades. Essas possibilidades vão da narração e anúncios em off para a TV e vídeos institucionais às apresentações de eventos e até mesmo à gravação de esperas telefônicas para empresas”.

Eu vou mais longe. Na minha concepção, a dicção correta é importante em todos os ramos de atividade. O mercado de trabalho engloba várias profissões. Em qualquer delas, o uso da palavra clara e da voz bem colocada é ponto positivo e imprescindível para o profissional. Apenas para argumentar e, mais que isso, reforçar minha tese, cito algumas atividades como advocacia, medicina, vendas e corretagem, além do jornalismo, nas quais a empatia da palavra leva à conquista do alvo, o cliente.

Na política, o parlamentar convence pela firmeza de sua voz, clara e penetrante, tornando seus argumentos muito mais vitoriosos e convincentes diante de seus pares.

Tive a oportunidade, quando estudante na Faculdade, de sentir a influência dos professores diante dos alunos. Eramos atraídos para as aulas ministradas por alguns mestres, que entusiasmavam pelo uso profundo das palavras, mantendo a atenção total de todos.

Enquanto outros, tão ou mais competentes, verdadeiros luminares da matéria, não empolgavam pela maneira linear de se comunicarem - sem nuances e sem brilho, tornando as aulas cansativas e monótonas.

Há um caso que me impressionou vivamente. Em um escritório de advocacia, o advogado-chefe era de um conhecimento jurídico excepcional. Seus pareceres eram admirados e respeitados pelo brilhantismo de suas conclusões e argumentos. No entanto, no momento de defender oralmente suas teses, tão bem elaboradas através de seus escritos, suas palavras eram tão tímidas, sem expressão, que todo o conteúdo jurídico perdia sua força e, assim, não atingiam seus objetivos. Mais tarde, foi substituído e seu extraordinário talento foi totalmente perdido.

Outro dia, entrei em uma loja de eletrodomésticos para sondar preços de alguns fogões. O vendedor, através da simpatia da palavra, convenceu-me a comprar a mercadoria. Ressalte-se que minha intenção não era a de adquirir o produto naquele momento. Mas ele me conquistou.

Em outra ocasião, escutei de um colega um fato interessante que passo a narrar. Em uma festa, seus olhos se fixaram numa linda mulher. Rosto e corpo de exuberante beleza, ele ficou, de fato, encantado e até inebriado. Tentou de várias formas de aproximar daquele monumento de mulher. Até que conseguiu. Com as apresentações de rotina e o início da conversa, seu sonho se desmoronou e virou uma terrível decepção. As palavras dela eram um conjunto de termos errados, gírias a concordâncias mal feitas. A beleza daquela mulher desapareceu por completo, prevalecendo aquela voz estridente, incomodando os ouvidos dele com um português cheio de incorreções. Assim que conseguiu, com uma desculpa qualquer, ele se afastou definitivamente.

A conclusão é de que até no âmbito social a voz tem muita influência no convívio e aproximação das pessoas.

Na verdade, a palavra é o grande instrumento na conquista vitoriosa do mercado de trabalho e também no campo social. Sem o perfeito uso da língua, através da voz bem pronunciada e articulada, a caminhada para o triunfo se torna espinhosa e muitas vêzes inatingível. Em qualquer etapa da vida profissional e até mesmo no âmbito social.

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